segunda-feira, 27 de outubro de 2008

UM POUCO DE VINICIUS...

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

2 comentários:

Mirella - Blog TPM disse...

Achei essa interpretação bem legal!
http://br.youtube.com/watch?v=nHsp3mqOUHE
Bj

A2 disse...

muito boa a interpretação da Morgado.